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4.4. Cartografia e análise de serviços de ecossistemas terrestres em pequenas ilhas oceânicas

Gil, A., Picanço, A., Moreira, M. &  Borges, P.A.V. (2021) 4.4. Cartografia e análise de serviços de ecossistemas terrestres em pequenas ilhas oceânicas. A Ecologia da Paisagem no Contexto Luso-Brasileiro. (ed. by S.C. Ribeiro, N. Guiomar, D. Boscolo & A. Firmino). APEP- Associação Portuguesa Ecologia Da Paisagem e IALE-BR Associação Brasileira de Ecologia da Paisagem. Editora Appris. ISBN:978-65-250-0280-4.

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  • Jan, 2021

Summary

Cometerei o clichê mais repetido do mundo ao dizer que este livro preenche uma lacuna em nossa área. Acredito que os autores tenham me dado a lisonja de o apresentar porque em certo momento participei de uma primeira geração brasileira de ecólogos da paisagem, infelizmente conheço bem essa lacuna. Para resumir uma história que será melhor contada aí dentro: desconhecemos nossos espaços, gerenciamo-los mal e os resultados não poderiam ser diferentes do que foram, com a desfiguração do Código Florestal Brasileiro em 2012 e os incêndios florestais portugueses de 2017, entre outros exemplos. Aquela primeira geração, talvez sob o peso do pioneirismo, praticou excessivo rigor conceitual e quantitativo, e enfatizou a publicação de artigos científicos nos periódicos de maior prestígio, infelizmente todos em inglês (tampouco foi a única área do conhecimento a cometer tais enganos). Então, é com enorme alegria que recebo um livro com organização pedagógica, produzido a partir daquela base conceitual, mas acrescido de várias ideias novas e agora com maior ênfase em casos reais. Igualmente sensacional é ter realizado tudo isso envolvendo muitos pesquisadores de dois contextos que não poderiam ser mais diferentes: de um lado, a América Tropical, com sua ocupação recente e sua megadiversidade e, do outro, as paisagens da Península Ibérica com suas várias camadas de história Romana, Árabe, Medieval, Moderna e Industrial. Apesar das diferenças, não há outro país em que me sinta mais em casa que em Portugal, porque além da língua, compartilhamos tradição, história e visão de mundo. Este livro é mais que um tratado pedagógico em certa área do conhecimento. Ele preenche também a lacuna de reconectar duas histórias que já foram uma só, no tempo em que Ecólogos da Paisagem avant la lettre como José Bonifácio de Andrada e Silva eram educados em Coimbra. Quem sabe não teremos a partir daqui volumes luso-brasileiros em conservação, restauração e outros? Discutíamos há algumas décadas se a Ecologia da Paisagem deveria seguir o viés mais quantitativo norte-americano ou o viés mais humanista da Europa Central. Vejo, neste livro, a genial resposta que devemos seguir ambas, porque a pergunta talvez não fosse tão relevante. Mais importante que o viés, é o estudo de paisagens com problemas socioeconômicos (socio-económicos?) semelhantes, tais como abundância de espécies e escassez de recursos financeiros. Nesse quesito, tanto a Europa Central quanto os Estados Unidos têm pouco a nos oferecer. Mais relevante é a escolha de paisagens onde haja similaridades que permitam generalizações, mas haja também diferenças que permitam testar a robustez das ideias. Brasil (em especial o sul e o sudeste) e Portugal são escolhas geniais por serem similares e divergentes na medida certa para estudos comparativos de paisagem; mais uma lacuna preenchida por este livro. Como muitos dos termos empregados em Ecologia da Paisagem são de origem inglesa ou francesa, sempre houve controvérsia sobre qual seria de facto a melhor tradução para certos jargões. Assentar a terminologia é mais uma lacuna que este livro preenche, com a vantagem adicional de fazê-lo já com cariz luso-brasileiro. A produtiva e promissora parceria luso-brasileira é também um tanto injusta por permitir aos últimos a vantagem de uma leitura em sua língua nativa, mas que ainda assim rescinde a Fernando Pessoa, Camões e certo romantismo marítimo. Então, sem mais delongas...